sábado, maio 21, 2005

Naquele dia...
chorou…. Começou devagar, depois foi impossível parar. Chorou quieta, sozinha, quase em silêncio. As lágrimas nasceram quentes, salgadas, encorpadas, consistentes, involuntárias, sucederam-se com a força de quem percebe que desiste.

Naquele dia entregou-se ao fluir da tristeza, deixou de lutar, de querer mudar o mundo, o dela e o dos outros, ficou à deriva. Foi jangada solitária e iniciou viagem….

Naquele dia chorou de decepção… Sem dor, sem raiva, sem fúria, já sem revolta… apenas desencanto. Desencontrou-se da ilusão e da esperança. Naquele dia as palavras ficaram caladas. Chorou. Naquele dia chorou por ela. Sentiu-se perdida na terra do depois. O lugar onde chega quem naufragou.

Naquele dia chorou até adormecer.
Depois…Depois pensou que o encantamento podia voltar devagar. Há momentos em que acredita que sim, há outros em que se vê de olhos fechados.

1 Comments:

Blogger Sónia said...

Poderia assinar este texto. Podia fazer das tuas as minhas palavras. Percebo agora o que encontras nas minhas simplórias palavras..

9:40 da tarde  

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