segunda-feira, maio 23, 2005

Quis ser egoísta

Segunda-feira. Depois de passar pelo meu gabinete, depois de organizar pendentes e urgências decidi que precisava de uma pausa.
No bar aproveitei o silêncio e perdi-me em balanços internos, aliás como é hábito, abstraí-me do mundo e parti sem rumo para dentro de mim. Deixei-me ficar a olhar a cidade. Naquela sala envidraçada do 14ª andar, a cidade aparecia calma, quase harmoniosa, apesar da chuva.

Não me apercebi da tua chegada. Só te senti quando me tocaste no ombro. Aproximaste-te com um sorriso terno e com o teu olhar cristalino. Sinto-me segura dentro do teu olhar. Tenho saudades de me perder nele, como antes…

Ficamos a conversar. Voltaste a pedir-me o (im)possível…. Pediste-me para construir uma vida contigo, uma família. Falaste-me dos filhos que querias ter comigo, da casa, do jardim, dos passeios ao pôr-do-sol.

Fiquei em silêncio. Não te interrompi. Desta vez não te pedi que parasses.
Não te disse que Não, que não tenho espaço para ti em mim. Desta vez desejei desejar essa vida normal que me dizes poder existir. Desta vez levantei-me sem saber o que te responder.
Desta vez, acredita, quis pedir-te que ficasses. Quis ser egoísta e pedir-te que não desistisses.
Não pedi. Mas tu, mesmo assim, ficaste.

1 Comments:

Blogger Sónia said...

Muito. Muito bonito.

9:37 da tarde  

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