segunda-feira, setembro 20, 2004

Tudo em mim

O nosso espaço, o nosso círculo familiar, de amigos, de colegas, de conhecidos é apenas uma gota no oceano das relações humanas. Sempre que conheço alguém interesso-me. Renasço. Gosto de ficar a ouvir, a assimilar, é um facto que gosto de partilhar, de partilhar-me, mas fico encantada, arrebatada, seduzida, cativa de cada palavra quando me contam histórias de vivências, de encontros e desencontros, de famílias, de viagens. Principalmente de viagens. Escuto com atenção e percebo os mundos que existem, camada sobre camada, vida sobre vida. Gosto de conhecer pessoas. Gosto. Depois, depois quero-as todas em mim.

Fico com a certeza que há tanto para aprender, tanto para conhecer, tanto para viver… certezas que todos temos, mas que se calhar nem a todos incomoda como a mim… Nesses dias sinto-me perdida, aprisionada ao quotidiano e a quem me rodeia. Não que não goste do que faço, ou de quem me rodeia!
Não!
Amo. Amo cada um deles. Mesmo! Amo com paixão a minha família próxima e algumas pessoas especiais. Confesso que adoro a essência do meu trabalho, mas sinto que perco, que perco sempre em cada um dos dias da minha vida. Ninguém consegue abraçar o mundo! Ninguém consegue estar em todo o lado.
Eu sei que é irrealizável. Eu sei!
Então porque é que eu sinto esta avidez e intemperança por tudo o que não tenho, por tudo o que me contam, por tudo o que me mostram, por tudo o que descubro, por tudo o que me emociona?!?!
Estou apaixonada pela vida desde o primeiro minuto, mas irrita-me não ter o mundo nas mãos...

Nota: não é um manifesto de angústia, de depressão ou algo do género, até porque tu sabes que ando bem disposta, tanto que até me pedes que te contagie… é só uma sensação que tenho desde que me conheço…. Desde… desde sempre.