terça-feira, agosto 30, 2005

Amizades

Conheci através dos blogs, pelos blogs ou com os blogs, duas mulheres, cuja vida agora vou acompanhando. Estabeleci com uma delas uma relação de proximidade, de diálogo, de partilha, de troca e entrega. Percebi, só recentemente, que uma amizade assim, não deixa de ser uma amizade, que apesar de não ter as características que se espera que uma amizade tenha, não deixa de desempenhar o mesmo papel… de bem-querer, de afeição, de aconselhamento, de presença.
Elas, são duas mulheres que têm a minha idade, que partilharam as mesmas referências musicais ou literárias, as mesmas memórias de infância, que viveram e descrevem reacções parecidas a cada descoberta da vida. Que gostam de tantas coisas que eu gosto, que tem vícios secretos semelhantes aos meus, que sonham a cores, no escuro, tal como eu.
Curiosamente as suas vidas diferem muito daquela que eu levo, ou se calhar nem tanto… Se calhar não é a organização da nossa vida que nos aproxima, mas sim a forma como sentimos essa nossa vida. Os medos, os ódios, os receios, os desejos, as dores, as mágoas, as alegrias, as vitórias, as derrotas… a sensibilidade é assustadoramente a mesma. É estranho como nos vemos, às vezes como “bichos raros”, e vamos encontrar nos outros , justamente o que julgávamos que nos distinguia e que nos deixava perdidos. Afinal encontrar um caminho pode não ser tão difícil … nem estamos sós, ainda que o sintamos profundamente.