segunda-feira, dezembro 13, 2004

O meu nome

Um dia acordei e mudei de nome. Peguei no nome antigo, escolhido para mim quando nasci, e apaguei-o.
Mudei de vida. Percebi que ao deixar de ser eu podia ser quem eu quisesse.
Levantei-me, olhei-me ao espelho pela última vez e mudei de nome. Sou agora uma mulher com um nome comum, claro, curto, limpo, branco, quase redondo. Escolhi este porque não me diz nada. Porque não tem força, porque é vazio. Quero-o assim.
Cortei o cabelo. Fiz as malas e parti.
Não me despedi de ninguém. Só do meu nome.
Cheguei há pouco tempo. Gosto do ar desta cidade à beira-mar.
Apresentei-me a todos com o meu novo nome, com a minha nova vida, curta e diferente, já outra.
Hoje vim passear para o porto de mar, os barcos dançam, o céu está cinzento e pesado. Tenho nas mãos tudo o que fui. Olho ainda esta caixa que fui eu. Guardei aqui todas as palavras que quis esquecer, perdi nela todas as frases que deixei por dizer, esqueci o ontem e o antes. Com as mãos frias guardei tudo. Fechei a caixa, inspirei e deitei-a ao mar.
Ouvi o meu nome, o nome de quem sou agora, convidaram-me para um café quente.
Sorri e aceitei
Um dia acordei e já tinha outro nome.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Eu sei o teu nome. Conheço também todas essas pessoas que teimas em esconder e gosto de todas...
Quando jantas comigo...

9:02 da tarde  
Blogger jota said...

Este comentário foi removido pelo autor.

10:27 da tarde  

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