quinta-feira, janeiro 06, 2005

O diário

Encontrei-o no meio dos livros. Capa negra, usado, muito usado. Abri-o ao acaso sem escolher data ou página. Abri o diário e li. As palavras surgiram conhecidas, próximas, familiares, minhas...

Paris, 10 de Dezembro de 2010

Porque é que quando todos estão felizes eu não consigo esquecer, abandonar-me ali.... Porque é que quando o mundo se harmoniza comigo, eu sinto esta angústia permanente de nunca pertencer, verdadeiramente, a lugar nenhum e a ninguém.

Como se vivesse sempre uma vida emprestada, à espera de uma mudança, à espera que um dia algo aconteça.
Vivo os dias pela metade, sempre alerta.
Vivo com o pensamento fora de mim.
Vivo a desejar ….
Vivo sem nunca sentir mais do que isto.
Estou lá e pronto. E depois já não queria… já não queria estar, mas se saísse morria.

Morria.
Eu sei que morria. Tenho a certeza. Porque era lá que queria ficar….

Sempre tua


Fechei o diário. Guardei-o na gaveta. Arrumei a secretária e sai. Saí dali sem olhar para trás. Nunca mais voltei.

1 Comments:

Blogger jota said...

E não morreste, nem foste para sempre dele.

4:57 da tarde  

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