segunda-feira, junho 25, 2007

Manhãs




Gosto da manhã. Manhãs de domingo. Manhãs de férias. Manhãs calmas. Manhãs, quando o dia promete. Manhãs a sós. Manhãs comigo antes de todos.
Gosto de te ver logo de manhã. Tenho a janela aberta e o sol prestes a entrar. Tu adormecido.
Manhã cedo e eu acordada à espera do tempo.
Manhã. Manhã. Manhã.
Enquanto é cedo, antes do mundo.
É um sossego imaginar-te, acabado de acordar, os olhos fechados, as mãos a contar nos dedos os minutos que faltam para começar...
Manhã. Manhã. Manhã.
Só para contrariar os amantes da noite, os defensores do encantamento da lua. Só para aborrecer os que se aventuram enquanto não há chama.
Só para embaraçar os que se procuram quando a escuridão omite sombras.
Repito. É da manhã. É da manhã que eu gosto.
Manhã. Manhã. Manhã.
Estou na cama, a cabeça enterrada na almofada. Tu ao lado, sempre. É manhã, manhã outra vez. O sol ainda, o silêncio na cozinha, no sofá vazio, na sala. Ninguém para dizer bom dia. A janela aberta, a ausência. O início de tudo.
Manhã. Manhã. Manhã.
Eu quieta à espera. À espera antes de todos, para ser só eu.

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